quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Natal é 1º de Abril

Visitando a blogosfera, percebi uma tendência a crítica do natal. Todos os textos que eu li com essa temática foram muito bem escritos e revelam o quanto essa tal festa cristã já não possui mais significado. A não ser o significado do consumismo e aumento das vendas e lucros. Talvez o significado de como mentir para a "felicidade" de todos. Papai Noel, lenda ainda maior do que um tal de Jesus Cristo, já é definitivamente a figura sobre o qual essa festa fala. Troca de presentes é uma obrigação, apenas porque se espera ganhar muitos presentes.

Toda essa farsa se faz jus, afinal foi a tal Igreja Católica quem criou parte desse mito. Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. Ela usurpou uma comemoração pagã que homenageava o sol. Até mesmo o nascimento de uma virgem já era coisa que remontava às lendas egípcias. Justo a Igreja, que prega a "verdade", se diz a única salvadora e condena todas as outras religiões, precisa usar de estratagemas para arrebanhar fieis para seu rebanho.

Muito dirão, mas o que importa é a mensagem. Pois bem, continuem tapando os olhos para as mentirinhas do Papa, ninguém precisa pensar mesmo. Apenas aceitem tudo o que ele diz com fé, sem questionar e todos irão felizes para o céu. Ou será que isso é uma mentirinha também?

Para os que conseguiram ler até aqui, recomendo algumas outras leituras mais importantes.
No G1, uma nóticia sobre o quando nasceu Jesus.
No Tigre de Muleta, um ótimo texto sobre o significado do natal.
No Sedentário e Hiperativo, uma ótima coluna sobre uma Teoria da Conspiração, que ultrapassa os séculos (diria até milênios) em que o Natal é apenas uma das mentirinhas.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A Política do Tapa-Buraco

Mais uma vez me enoja ver essas leis propostas por "nossos" políticos eleitos. Mais uma vez eles tentam atacar o efeito e não a causa.

O "nobilíssimo" deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) propôs um projeto de lei que proíbe estrangeirismos no país e a Comissão de Constituição e Justiça aprovou. Mais detalhes em "CCJ da Câmara aprova lei contra estrangeirismos".

Pessoalmente eu sou contra a maioria dos estrangeirismos. Um exemplo claro é o uso de random. Existe a tradução perfeita para a palavra que é aleatório. Não há nenhuma complicação, nenhuma dificuldade (acho até que é mais complicado usar random do que aleatório) e mesmo assim as pessoas insistem em usar o estrangeirismo. Contudo, essa minha opinião pessoal, não quer dizer que eu concorde com essa proposta de lei. Muito pelo contrário. Esse tipo de coisa ataca a liberdade individual e coletiva, ataca um efeito - o uso de estrangeirismos - ao invés de atacar a causa, que é a falta de cultura e educação da população brasileira. Causa essa da incompetência e interesse dos nossos governantes de manterem nosso povo na mais absoluta ignorância. E não é só problema das classes baixas. É generalizado. Nossos jovens cada vez mais vão às escolas para não aprenderem a pensar. Para não ter senso crítico.

Se tivéssemos uma sociedade melhor educada, que priorizasse o senso crítico e o debate, não haveria a necessidade de leis tão esdrúxulas como essa. É utópico mas minha mediocridade impede de ver outra maneira de melhorar o Brasil se não através da educação. Talvez eu esteja errado afinal e esse seja o caminho que nossa população mereça afinal.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Consciência Negra...

Arte Afro-brasileira é Arte Brasileira

“O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na África”, isso foi dito no século XVII pelo Padre Antônio Vieira reconhecendo, já naquela época, a importância do legado Negro como matriz formadora da cultura brasileira.

A arte negra africana, em especial a plástica, tem características singulares como o ‘design’ diferenciado dos objetos utilitários e jóias; esculturas que poderiam ser classificadas de naturalistas ou expressionistas; e as mascaras que resumem em si a importância que a transcendência religiosa tem para aqueles povos. E tudo isso vem influenciar a arte produzida no Brasil, em especial a modernista. Aliás, é só a partir da semana de 22, com o ideal de antropofagia cultural que a arte negra é redescoberta; temos então Mario de Andrade com o seu Macunaíma; Vila Lobos explorando os ritmos nativos transformando-os em música clássica; Brecheret produzindo esculturas, até então diferentes para os padrões nacionais; Tarsila do Amaral que teve a audácia de retratar uma mulher negra; e Di Cavalcanti com as suas não menos famosas pinturas de “mulatas”. Muitos anos se passaram desde então, outros artistas continuaram e continuam sendo influenciados pela a arte africana, que a esta altura também já é uma arte mestiça.

Mas o inusitado é que hoje, em pleno século XXI, poucos são os que ainda admitem a real importância das culturas africanas na realidade sócio-cultural brasileira. Temos vergonha das nossas origens negras, limitando-nos a exaltar a cultura colonizadora européia. Nas escolas estudamos a mitologia greco-romana, mas discriminamos a mitologia da África subsaariana – possíveis resquícios dos preconceitos difundidos na cultura brasileira pelo Catolicismo e mais recentemente pelas religiões evangélicas que insistem em identificar as religiões de matriz africana como sendo ‘cultos ao demônio’.

Preconceitos, discriminação e senso comum são características da nossa sociedade que não reconhece as inúmeras contribuições do Negro na realidade brasileira, atendo-se tão somente, ao obvio como a capoeira e a feijoada. Como se mais de dois séculos de escravidão e de miscigenação tivessem produzido somente estes dois frutos!

Já é hora de sairmos do discurso e partirmos para a ação, não basta ficarmos elogiando o samba ou Pelé, é necessário que reconheçamos as influências da África. É necessário que olhemos para o “Continente Negro” hoje. Que vejamos que lá ainda se produz arte da melhor qualidade. Tanto quanto nos séculos que antecederam a colonização.

Os artistas europeus de vanguarda, no século XX, reconheceram objetos utilitários produzidos por culturas africanas como sendo arte de alto nível; sendo ela naturalista ou expressionista. Temos também que saber reconhecer que a arte produzida pelo afro-brasileiro, pelo mestiço, não são apenas mero folclore, mas sim a arte de um povo. Expressão de uma arte de nacionalidade brasileira que, assim como o povo, é o resultado de misturas étnicas; que soube fundir o profano e o sagrado em si, tornando o sincretismo religioso um importante catalisador de inspiração artística.

A arte afro-brasileira é acima de tudo uma arte genuinamente brasileira, simbolicamente rica, complexa em sua simplicidade – mesmo que isso possa parecer paradoxal. O grande legado de um povo escravizado.