
Nesta que era para ser uma terça-feira como tantas outras passadas, sem grandes novidades jornalísticas e ainda se ouvindo o eco do Urso de Ouro ganhado pelo filme “Tropa de Elite”
Nenhum outro assunto dominou a imprensa brasileira – que até ‘esqueceu’ a crise dos cartões corporativos do governo federal –, Fidel se tornou o centro de um grande vórtice histórico e ideológico; muitas foram as matérias, as entrevistas e opiniões de cientistas políticos, historiadores, comunistas (será que eles ainda existem?), ex-comunistas; realizadas nessa terça-feira, 19 de fevereiro que não prometia nada de novidade, quiçá de um marco histórico.
Se me questionarem se a grande imprensa cumpriu o seu papel de nos conscientizar da importância política e ideológica de Castro; diria que sim. O que, a meu ver, deixou a desejar foi a cobertura emocional desse acontecimento, ou melhor, a ausência de um enfoque mais emocional. Fidel não representa apenas o homem que em parceria com Che Guevara fez a Revolução Comunista; ele é a figura icônica que condensa em si toda a audácia latina frente ao "Império EUA". É o homem que agigantou Cuba politicamente, mas em detrimento a isso, foi também um déspota – aliás, como todos os governantes comunistas do séc. XX –, um sanguinário que perseguiu e condenou muitas vezes à prisão e à morte, todos aqueles que se colocaram em seu caminho. Todos aqueles que colocaram em xeque o seu ideal de uma Cuba grandiosa... Portanto, Castro é um personagem que desperta ódio e amor, símbolo de liberdade e repressão para muitas pessoas; ele é uma amálgama de paradoxismos.
Agora mais do que nunca o sonho acabou, dezessete anos após o fim da União Soviética, chega ao fim o governo de Fidel. Cuba, provavelmente, entrará em um governo provisório que não ousará modificar as coordenadas castristas, até porque o Comandante revolucionário ainda está vivo e continuará ditando as regras do jogo por detrás do pano. Fidel renunciou ao cargo de presidência, não ao exercício da política. É cedo demais para falarmos em democracia e libertação de presos políticos, mas uma coisa poderia ser feita: o término do embargo econômico... Esse é o primeiro passo para uma Cuba mais livre. O passo para um povo mais livre!
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